ZOOLOGIA 18/01/2000 Folha On Line
Maior
peixe do mundo está 'encolhendo'
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Tubarão baleia come plânton e é dócil |
Tubarões-baleia
vistos na costa australiana estão ficando menores, dizem pesquisadores.
Na última década,
o tamanho médio do maior peixe do mundo teria diminuído de 7 metros para 5
metros. E isto estaria acontecendo por causa da pesca indiscriminada.
Os tubarões-baleia
são pescados em países do leste asiático, onde sua carne é apreciada.
A espécie está
listada como "vulnerável" e pesquisadores do Instituto Australiano de
Ciência Marinha (Aims), que analisou dados dos últimos dez anos, afirmam que a
tendência "é muito preocupante".
Ecoturismo
A descoberta
foi feita a partir de expedições de ecoturismo, para ver e nadar com o tubarão-baleia
que, apesar de ter uma boca de 1,5 metros de comprimento, é dócil e se
alimenta de plâncton.
As empresas que
fazem os passeios no Ningaloo Marine Park, na costa noroeste da Austrália,
catalogam o tamanho, o sexo e a posição de cada um dos tubarões que vêem.
"Nós
obtivemos as bases de dados e analisamos por um período de dez anos",
disse Mark Meekan, do Aims.
"O que nós
vimos foi o declínio no tamanho médio. Se você levar em conta que os tubarões-baleia
provavelmente não alcançam a idade reprodutiva até chegarem a seis ou sete
metros, a informação é preocupante".
Os tubarões-baleia
(Rhincodon typus) vivem até 150 anos e podem chegar a 20 metros de comprimento.
Se acredita que atinjam a maturidade sexual por volta dos 30 anos.
Eles vivem em
mares quentes, perto do Equador, incluindo a costa brasileira.
A União
Internacional de Conservação da Natureza (IUCN), que reúne 82 países e
produz uma lista de espécies ameaçadas, chamada de lista vermelha classifica o
tubarão-baleia como espécie vulnerável.
"Como
muitos outros tubarões, eles são altamente vulneráveis por causa da vida
longa e da baixa reprodutividade", afirma Callum Roberts da Universidade de
York na Grã-Bretanha, que pesquisou a espécie no Caribe.
"A espécie
foi incluída na lista das ameaçadas da CITES (Convenção de Comércio
Internacional em Espécies Ameaçadas), mas isto não vai protege-los se eles
forem pescados em Taiwan e consumidos no próprio país", explica.
"Os tubarões-baleia
estão correndo risco e a redução do tamanho pode ser consequência da captura
dos maiores tubarões", acredita Roberts.
Também há
indicações de que o número de tubarões-baleia visitando as águas
Australianas possa estar diminuindo, outro indicador de declínio provocado pela
pesca indiscriminada.
Rastreamento
Os
pesquisadores do Aims criaram um programa em que alguns dos tubarões estão
sendo monitorados para acompanhar as rotas de migração entre a Austrália, a
Ásia e a costa leste da África.
No mês passado
um dos transmissores foi localizado na Indonésia, provavelmente em terra, por vários
dias, o que levou os pesquisadores a suspeitar que o tubarão tenha sido pego e
o transmissor removido.
Na Ásia, além
da carne, as nadadeiras gigantes dos tubarões-baleia são usadas como placas
pelos restaurantes que servem sopas de barbatana de tubarão. O óleo do fígado
também é aproveitado, assim como a cartilagem, usada tradicionalmente na
medicina chinesa.
Mapear as rotas
de migração pode ajudar a apontar onde eles estão sendo apanhados.
"Muitas
das pessoas fazendo isto, são pescadores sem outras opções. Se nós soubermos
onde eles estão, podemos indicar outras opções muito lucrativas", diz
Meekan.
A indústria do
ecotorismo em Ningaloo movimenta US$ 50 milhões por ano (R$ 115,5 milhões).
A longo prazo,
os pesquisadores do Aims esperam entender melhor o ciclo de vida do tubarão
baleia. Seus hábitos reprodutivos ainda são um mistério e eles são animais
solitários, que se reúnem em algum lugar para reproduzir.
Se acredita que
eles cuidem dos filhotes, mas poucos já foram avistados.