BIOLOGIA CELULAR     18/01/2006     Folha On Line

Inseticida pode dobrar risco de leucemia, diz estudo


    A aplicação de shampoos à base de piretrina para tratar piolho ou o uso de inseticidas em casa podem dobrar as chances de uma criança desenvolver leucemia, de acordo com um estudo do Inserm, o Instituto Francês para Pesquisa Médica.

    O trabalho, publicado nesta terça-feira pela revista médica "Occupational and Environmental Medicine Journal" e liderado por Florence Menegaux, descobriu que o uso de inseticidas é perigoso durante a gravidez ou a infância das crianças.

   "As descobertas desse estudo reforçam a hipótese já indicada pela literatura especializada de que a exposição a pesticidas de uso caseiro pode ter um papel na leucemia aguda infantil", afirmou Menegaux.

   As conclusões foram baseadas no estudo de 568 crianças, das quais 280 tinham leucemia aguda e outras 288, do mesmo sexo e mesma faixa etária, eram saudáveis.

   Os pais das crianças responderam questionários sobre a sua ocupação e sobre o uso de pesticidas no jardim e dentro de casa.

Polêmica

   Os médicos relacionaram o uso prolongado de inseticidas de jardim a um aumento de 2,4 vezes nos riscos, enquanto os de uso caseiro provocaram um aumento de 2,5 vezes nos riscos.

   "Nossos resultados e aqueles de estudos anteriores indicam que pode ser oportuno considerar medidas preventivas", afirmou a chefe da equipe de cientistas, que, no entanto, não considera o estudo prova definitiva da relação entre câncer e inseticidas.

   Ken Campbell, um representante do Fundo Britânico de Pesquisa sobre Leucemia, ressaltou que a relação entre o uso de inseticidas e a leucemia é "contenciosa". "Há relatos conflitantes. O problema é que normalmente quem faz essa relação ganha publicidade", disse o representante da ONG.

   Ele aponta dois principais problemas na pesquisa francesa: o primeiro é que o número de casos estudado é "pequeno"; além disso, Campbell afirma que a pesquisa depende da memória dos pais, que "é notoriamente imprecisa".

  Para ele, a pesquisa não é prova de que haja a relação entre pesticidas e leucemia em crianças.